Anticoncepcional oral: conheça os riscos e efeitos da pílula

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A jornalista Mayara da Costa levou um grande susto em janeiro do ano passado. Ao acordar com uma dor na planta do pé, que seguia para o calcanhar, ela suspeitou de uma torção, já que tinha usado salto alto na noite anterior. Entretanto, no dia seguinte, a dor irradiou para a panturrilha, só que mais forte, que a impedia até de caminhar. Foi então que Mayara foi em busca dos médicos.

Na emergência, ela foi atendida por um ortopedista que realizou exames e descartou qualquer problema. Tomou anti-inflamatórios, mas a dor permanecia. Foi a outro médico, a quem explicou os sintomas e contou que tomava o anticoncepcional Diclin há 5 anos. Esse profissional indicou o Doppler (procedimento usado para avaliar o fluxo de sangue pelas artérias e vasos sanguíneos) e constatou trombose na perna direita de Mayara.

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Mayara teve trombose na perna direita (Foto: Reprodução/Internet)

O risco de uma trombose pode ser potencializado caso a paciente faça uso de anticoncepcionais com hormônios. Ter predisposição genética ou alguém na família com doença cardiovascular, ser fumante, sedentária, obesa, diabética e hipertensa são condições que podem impossibilitar a mulher de usar a pílula.

No caso da jornalista, quatro pessoas na família já tiveram trombose, então achava-se que fosse algo genético. “Fui ao hematologista para investigar a causa. Fiz muitos exames para saber a relação genética e neles nenhum mostrou que era algo no DNA, mas a médica explicou que não há como rastrear todo DNA, então pode ser que eu seja um tipo de pessoa favorável a ter a trombose e o anticoncepcional potencializou essa possibilidade”, conta ela.

A ginecologista Ana Maria Veloso afirma que hoje a maioria dos anticoncepcionais têm o hormônio feminino estrogênio, e ele aumenta o risco de trombose. Então, é melhor o uso de um anticoncepcional sem o estrogênio, só de progesterona, que pode ser encontrado em formas orais ou injetáveis.

Além do risco de trombose, os anticoncepcionais com hormônios apresentam outros efeitos colaterais como retenção hídrica, dor na mama, sangramentos irregulares, tontura, dor de cabeça e casos de enxaqueca podem piorar.

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Dor de cabeça é um dos efeitos colaterais causados pelos anticoncepcionais com hormônios (Foto: Reprodução/Internet)

O ginecologista Anatole Borges explica que qualquer efeito depende do histórico de cada mulher. Nem sempre o que acontece com uma paciente afetará outra que faz uso da mesma pílula. Ele exclui ainda a possibilidade de que tomar anticoncepcional por muito tempo compromete a fertilidade da mulher.

“Isso é mito. Não há um efeito cumulativo quando o uso é contínuo e por longos períodos”, comenta. Existem também alguns relatos de que a pílula diminui o desejo sexual. Sobre isso, o ginecologista esclarece que alguns anticoncepcionais podem ter esse efeito. “Pode acontecer. Isso vai depender do tipo de hormônio. Os derivados de ciproterona, por exemplo, têm esse efeito. O ideal é consultar o médico e tentar mudar o anticoncepcional”, acrescenta.

Consulta é primordial para descartar riscos

Como os anticoncepcionais podem representar riscos à saúde, o ginecologista Anatole Borges reforça a importância da consulta médica. “É extremamente importante que o médico tenha conhecimento sobre os fatores de risco que a paciente possa ter. Para isso, é necessária uma consulta médica detalhada. O profissional precisa saber de seu histórico familiar, hábitos de vida, medicações que toma… Exames também precisam ser feitos”, disse.

A jornalista Mayara tomou anticoncepcional por 5 anos para regularizar o fluxo menstrual e amenizar os efeitos da acne. Mas, ela conta que nunca fez exames para saber se poderia ou não fazer uso do medicamento. “Por conta disso, quando descobri a trombose, fiquei três dias internada, porque o risco era de o coágulo que estava minha perna direita subir para o cérebro ou pulmão e causar embolia”, lembra a jornalista.

O tratamento de Mayara foi feito com anticoagulante e outros medicamentos. Ela tomou durante três meses anticoagulante, ficou de repouso, sem fazer esforço, e usou meias elásticas. “Hoje não tomo mais nenhum tipo de hormônio. Faço uso da meia todo dia porque ajuda na circulação, evito usar salto, ficar muito tempo em pé ou sentada, pratico exercício físico e fico sempre atenta, porque posso ter esse problema de novo”, completa.

“Quem tem risco de ter trombose pode optar pelo método de barreira intrauterino (DIU de cobre) e os preservativos (camisinha)”, finaliza Anatole Borges.

Outros métodos anticoncepcionais

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Diu de cobre pode ser usado por mulheres que têm risco de ter trombose (Foto: Reprodução/Internet)

Injetáveis mensais (progesterona e estrogênio)

Ideal para quem usa medicação que pode diminuir a eficácia da pílula ou mulheres que esquecem de tomar o contraceptivo. Como a pílula, eleva o risco de doenças vasculares em algumas pessoas.

Anel vaginal (progesterona e estrogênio)

Indicado para quem não se adapta à pílula por sentir enjoo ou dor de cabeça. É colocado no fundo da vagina pela mulher e fica no corpo por três semanas. Também pode aumentar a possibilidade de doenças vasculares.

Adesivo cutâneo (progesterona e estrogênio)

Colado na pele, é boa opção para quem enjoa com pílula. Cada adesivo dura uma semana. A chance de doenças vasculares também aumenta.

Implante com progesterona

Dura três anos e é inserido sob a pele pelo médico, com anestesia local. É indicado para quem amamenta ou sofre de endometriose. O risco de doenças vasculares também existe.

DIU de progesterona

Alivia cólica e é bom para quem tem endometriose ou fluxo intenso. Dura cinco anos e também eleva a chance de doenças vasculares em algumas mulheres.

DIU de cobre

Dura de três a dez anos. Deve ser evitado por mulheres com cólicas ou fluxo intenso, já que pode agravar os sintomas. Não eleva o risco de doenças vasculares.

Preservativos

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Camisinha também previne doenças sexualmente transmissíveis (Foto: Reprodução/Internet)

Além de evitar uma gravidez indesejada, a camisinha é eficaz para prevenir doenças sexualmente transmissíveis, como a aids, alguns tipos de hepatite e a sífilis. Caso você não se adapte a nenhum dos outros métodos, vale considerá-la. Não tem relação com doenças vasculares.

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