Balé: passos realizados com a alma

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Luis Ruben Gonzalez, bailarino clássico.

“Não é o ritmo nem os passos que fazem a dança
Mas a paixão que vai na alma de quem dança.”

Augusto Branco, poeta brasileiro

A dança tem a capacidade de captar e transmitir traços particulares das mais diversas culturas, no decorrer dos tempos. E hoje, 29 de abril, Dia Internacional da Dança, busca-se a valorização das mais diversas identidades artísticas.

Em um dia tão especial como esse para a cultura mundial, a equipe do O que que há? conversou com alguém apaixonado pela dança: Luis Ruben Gonzalez, bailarino e professor de dança, natural da cidade de Santa Clara (Cuba), e bailarino desde os nove anos de idade e 26 anos de envolvimento com o balé clássico.

Tudo começou com uma curiosidade de criança. Luis e um amigo souberam sobre um teste de aptidão para ingressar no ballet, e fugiram de uma aula de matemática, que acontecia no mesmo horário.

Luis Ruben Gonzalez no espetáculo La Filla Mal Gardee (2014)
Luis Ruben Gonzalez no espetáculo La Filla Mal Gardee (2014)

Na época em que Gonzalez decidiu seguir carreira no meio artístico, ainda aos nove anos de idade, houve apoio total por parte dos pais dele. “No meu país, ser artista e ser uma personalidade é algo valorizado por muitos. Além disso, a escola de arte, que é integral e completa, é muito boa. Em um período, eram as matérias práticas e teóricas ligadas ao ensino do ballet e, no outro, as aulas das matérias escolares normais. Então, era tudo o que meus pais queriam para o futuro de um filho”, conta Luis Ruben.

Segundo o bailarino, as dificuldades relacionadas a esse meio artístico depende do lugar onde se mora. Em Cuba, por exemplo, a dificuldade era normal, como em qualquer profissão, e consistia em trabalhar muito no melhoramento e aperfeiçoamento de técnicas artísticas para maiores possibilidades de reconhecimento como um profissional competente. Porém, ao chegar ao Brasil, a maior dificuldade era encontrar um emprego e respeito pelo ofício.

“Muitas vezes me perguntaram: “Com o quê você trabalha?”, eu respondia “Sou bailarino e dou aula de ballet clássico”. E a pessoa perguntava: “Mas, com o quê você ganha dinheiro mesmo?”. Quando cheguei, demorei muito tempo para entender a maneira que o Brasil funciona. É outra cultura, outro país, e outra forma de ver a arte”, comenta Gonzalez.

Luis Ruben Gonzalez no espetáculo La Filla Mal Gardee (2014)
Luis Ruben Gonzalez no espetáculo La Filla Mal Gardee (2014)

Mas, mesmo com as dificuldades, a paixão pelo balé clássico só aumentou:

“Poderia ser romântico e falar várias coisas boas sobre ser bailarino, como o arrepio por ouvir uma boa música coincidindo com teus sentimentos e teus movimentos, o nervoso antes de entrar no palco, o prazer de ouvir toda uma plateia te aplaudindo… Porém, há muitas coisas que talvez só sejam alcançadas com muita maturidade e amor, como a delicadeza em mergulhar-se dentro de você e te conhecer tanto ao ponto do balé dominar você e seus sentimentos, pensamentos, movimentos, passos tecnicamente precisos, de forma a equilibrar corpo e mente, abrindo mão do teu ego para dar o papel principal para a tua alma”, afirma Luis Ruben.

Luis Ruben Gonzalez
Luis Ruben Gonzalez. Foto: Arquivo pessoal.

Quanto a competições, houve poucas na carreira de Luis Ruben. O único torneio do qual ele participou competindo foi o Seminário de Dança de Brasília, em 2004, onde conquistou a medalha de ouro. Depois disso, Gonzalez foi requisitado a participar como bailarino convidado e parceiro neste evento em todas as edições seguintes, na capital brasileira. Na maioria dos eventos, Luis participou como convidado, e em um deles conheceu Pernambuco, estado brasileiro onde atua profissionalmente, atualmente, na escola de dança Ballet Gonzalez.

Curiosidade: Criado em 1982, pelo Comitê Internacional da Dança (CID) da Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (UNESCO), o Dia Mundial da Dança é uma homenagem ao mestre do balé francês Jean-Georges Noverre, bailarino e professor de balé conhecido por escrever Lettres sur La Danse (As Cartas Sobre a Dança), uma das mais importantes obras sobre dança da história.

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