Hoje é aniversário do meu pai!

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Hoje é aniversário do meu pai! Lá em casa temos uma tradição “aniversaresca”. No aniversário de qualquer um de nós, sempre há três coisas que acontecem: somos acordados por toda a família, é preparado um café especial e cartazes são colados nas paredes. O mais legal é que todo ano a gente já sabe o que vai acontecer, mas, mesmo assim, a cada ano parece ser uma novidade.

No dia do aniversário do meu pai, é sempre uma dificuldade executar nossa tradição, porque ele acorda antes de todos, e, para acordá-lo, precisaríamos levantar antes das 5h30 da manhã, o que, infelizmente, não conseguimos. Então, ele acorda cedo, finge que dorme e a comitiva se monta para fazer a festa.

Tá até parecendo que eu vim falar das tradições da minha família, mas, na verdade, vim falar do meu pai mesmo. Sempre, em aniversários, fico fofinha, com coração molenga e sempre (sempre mesmo) choro. Mas, no aniversário do meu pai parece que tudo isso se aguça numa expressão matemática que represente muita coisa, na qual não sei qual é (hahaha).

Depois dos parabéns, ele me deixou na parada de ônibus como faz diariamente, e, claro, peguei meu ônibus para o trabalho. Selecionei minha playlist e para combinar com o clima de aniversário ela estava bem profunda. As músicas eram dos anos 60/80/90, músicas que me fizeram lembrar ainda mais do meu pai, porque ele é um véi que nasceu nesses meados aí.

E, na hora, eu comecei a pensar, (e os meus pensamentos sempre são muito profundos), dei a sorte de vir sentada, e, sentadinha, com os fones acionados, eu penso ainda mais profundamente.

Fiquei imaginando como seria minha vida sem meu pai, e, na mesma hora, meus olhos começaram a marejar, fiquei com uma vontade tão grande de voltar e dizer mais uma vez o tanto que amo aquele homem, mas, não deu, porque a vida de adulto tem trabalho e tem ponto a ser batido também.

Minha irmã ruiva natural, Kel, nosso gatão e eu!

Mas, não parou por aí, comecei a pensar o quanto que essa ideia de perdê-lo doía dentro de mim, e o simples fato de imaginar essa dor me deixava sem chão. Uma vez, ouvi de um amigo que a gente entendia o tanto que amava alguém quando nos imaginávamos sem ela do lado, o sentimento que nos tomava, através desse pensamento, era o que sentíamos pela pessoa. Pode parecer meio radical, mas para mim funciona.

Eu amo muito meu pai, mas você aí que tá lendo, provavelmente, também ama seu pai. Não vim aqui dizer que meu amor é maior. Afinal, amor se mede? Eu vim aqui compartilhar com você que Deus, com toda sua soberania, escolheu José Francisco Oliveira da Silva para ser meu pai e me orientar, cuidar, amar ao ponto de chegar ao que sou hoje, e, mesmo assim, continuar me amando.

Não que eu seja muita coisa (uiuiui), não sou, mas tenho uma base muito forte que foi inspirada, ensinada e cuidadosamente orientada por meu pai.

Minha infância não foi fácil, no sentido financeiro mesmo da palavra, mas as lembranças que tenho do meu pai são muito fáceis de lembrar a ponto de o fato de não ter coisas materiais não ter influenciado em nada na minha gratidão aos meus pais e a Deus.

Foi seu Zé que sempre cuidou de mim, minha mãe era sempre muito ocupada, trabalhava demais, e os cuidados dos filhos eram divididos.

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Olha os cartazes que falei, detalhe, vcs são meus amigos, porque estou compartilhando fases esquecidas de my life, tipo meu cabelo preto! bjos

Então, meu pai era quem me acordava para ir à escola, me colocava para tomar banho, me arrumava e cuidava disso com muito amor. Não era tipo obrigação, era tipo: tô fazendo a coisa mais importante do meu dia!

Engraçado que ele era muito impressionado com a forma como eu e meus irmãos nos vestíamos. Nossa saia da escola era de prega, aquelas típicas de colegial, e ele, todo dia, passava a saia, dobra por dobra, e com goma para ficar bem durinha, então, nos vestia. E nós éramos sempre elogiados onde quer que fossemos por nosso engomamento.

O cabelo, também era por sua conta, e, por isso, até hoje, não sei fazer nenhum rabo de cavalo. Ele não sabia fazer nenhum penteado, e nosso cabelo dificultava as coisas porque era muito liso e não segurava nada. Então, todo dia, ele molhava os poucos cabelos, fazia um topete e nos enviava para a escola. (Notem meu cabelo, até hoje uso igual).

Meu pai preparava o café com amor, muito amor. Ele acordava cedo e não deixava a mãe tomar de conta, era função dele, função dele cuidar da gente nos momentos antes da escola. Ele colocava no prato e dava na boca. Zelava de tudo, cuidava de tudo, me amava com tudo.

E isso não parou! Tenho 25 anos, mas ainda é ele quem me acorda, mesmo sabendo que tem despertador, ele sempre vem na minha rede, me balança e diz: “Morena, tá na hora”! Eu sempre já estou acordada, mas amo a forma como ele me olha pela manhã.

É ele quem vai à padaria comprar meus bolinhos de queijo, e, nem adianta dizer que não precisa, ele vai! Ele diz para a mamãe: “Preta, tô indo ali comprar os bolinhos da Mi”! Mamãe olha para mim e diz: “Olha aí, Mi, teu pai já foi atrás do teu bolo, ele não entende que todo dia enjoa” (kkkkkkkkk). E, enjoa mesmo, mas ele faz questão.

Mesmo que eu queira descrever aqui eu não vou conseguir mostrar para vocês o tanto que esse homem me cuida, me zela, e o tanto que eu o amo. Eu costumo dizer que o meu pai me considera a pessoa mais especial do mundo. Ele me elogia corriqueiramente, diz que sou linda, especial, que sou tesouro, a morena mais linda do mundo. Ele me enche de elogios sempre, e, mesmo que eu saiba que isso tudo faz parte da perspectiva exagerada de sua visão paterna, eu tento acreditar que sempre posso me tornar aquilo que ele acredita que eu seja, ou pelo menos, um dia, chegar perto disso.

Eu me vejo no meu pai, a gente se parece muito, o senso de humor, as impaciências com as coisas bobas, o modo de ver a vida e, principalmente, comungamos da mesma fé.

Meu pai sempre foi preocupado com isso, sempre nos orientou nos caminhos do Senhor. Comprava livrinho, bíblia, “sequestrava” as fitas cassetes da escola em que trabalhava para passar no domingo para gente, fazia cultos domésticos, falava de Deus para nós, sempre falava sobre o que Deus fez nas nossas vidas, do milagre de estarmos vivos e do que Ele sempre será, independentemente, das circunstâncias.

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My family! Ps: meu irmão tá com cara de bravo, mas ele é legal!

A fé do meu pai me inspira. Ele não reclama de nada, não reclama da comida, não reclama do salário, quer dizer, minto, ele reclama do calor (hahaha). Sempre quando vê a gente reclamando ele fala: “Rum, vocês precisam aprender que o que temos aqui é bênção, porque eu e sua mãe já passamos por fome, frio, desespero, e vocês não devem reclamar de nada. Agradeçam, agradeçam”.

Eu só queria dizer hoje para vocês o que digo para ele, nem sempre com palavras, o tanto que meu pai é lindo. O tanto que ele me inspira a acreditar no ser humano. O tanto que ele me ensina a ser alguém melhor. O tanto que o seu amor me faz ser alguém melhor. O tanto que sua confiança em mim me faz enxergar dentro de mim forças que não existem aos meus olhos.

Hoje, é a minha vez de agradecer e eu sempre agradeço mesmo a Deus por ter um pai como seu Zé, que hoje entra na casa dos 50 e não admite isso porque é muita idade.

Eu só quero que o senhor permaneça assim como é: gato, musculoso, forte, sem paciência, balançador das orelhas por causa do calor, temente a Deus, engraçado, palhaço mesmo, tomador de café, bom ouvinte, trabalhador, guerreiro, (já disse fortão?), bom marido, e excelente pai.

Te amo!

De sua morena!

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