Mas o que é o tempo mesmo?

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Podemos nós, inventores do relógio, determinar o que é o tempo? Mas o tempo já não existia antes mesmo dessa criação?

Existe uma construção do que ele possa ser, mas a certeza mesmo é que nós não sabemos o que a palavra “tempo” representa.

Talvez para você 24h seja pouco tempo para um dia só, mas pode ser que 24h seja tempo demais de sofrimento e dor para outro alguém.

Pode ser que 30 dias seja demais para você, afinal são 720h. Mas pode ser que um mês não represente nada para outro alguém.

A questão que quero chegar é: Não podemos determinar o que é o tempo e o que ele representa para todas as pessoas.

A gente vive julgando o comportamento alheio e sobrepondo as nossas convicções em pessoas completamente diferentes de nós e que consideram coisas diferentes do que consideramos. E num é aí que mora a beleza da vida? Claro que é na diferença que a gente se completa. Imagina uma sociedade de pessoas iguais e que consideram as mesmas coisas importantes? Entraríamos em colapso com a rotina destrutiva da vida.

Eu já escrevi aqui sobre o tempo vivido, sobre felicidade, sorrisos, já escrevi também sobre empatia e sobre o amor , e tantas outras coisas. Hoje eu quero conversar sobre o tempo medido pelas convenções. Não importa se essas convenções moram numa casa, numa família, numa igreja ou num clube, não importa de onde elas venham, elas existem, e matam, enfraquecem, criam pessoas dependentes da opinião alheia e presas a um mundo estranho e desconhecido onde não existe razão de ser, mas apenas o porquê de ser.

Quem sou eu para determinar o tempo de algo ou alguma coisa?

Já ouvi uma vez que o meu problema é a forma como vejo a vida, que vivo num mundo otimista e inexistente. Não concordo com isso, eu só realmente acredito que podemos ser melhores, já tem gente demais reclamando e angustiada por aí. Eu preciso ser necessariamente mais uma?

Quer fazer algo importante na vida? Pois, vamos parar de tentar medir o outro, definir o outro, escrever a história do outro. Enquanto a gente se apega a história alheia a nossa vida passa, e sim, o tempo não volta.

Não tô dizendo que devemos viver aleatoriamente no mundo sem se importar com os outros e sem interferir no outro, o que eu tô dizendo é que existe vida aí dentro de você e mesmo que você seja a pessoa mais organizada do mundo, não vai conseguir controlar as pessoas e nem as suas decisões.

Eu penso que a gente perde muito tempo determinando coisas sem vivê-las. Eu não quero ser mais uma. Pode parecer um discurso precipitado, mas eu garanto a você uma coisa: a vida é curta, pequena, e incontrolável, faça da sua única vida o meio de ser feliz e pleno!

Se algo te faz feliz, viva! Nem sempre o outro tem razão, e se ele tiver, ótimo também. A vida não é uma prestação de conta obsessiva, a vida é vida, e nela a gente erra e acerta, isso faz dela ser o que é: única! É isso que faz da gente, gente. Somos humanos e nossa humanidade é que faz a vida ter sentido.

Deixo para vocês um poema de Ricardo Reis:

Vive sem Horas

Vive sem horas. Quanto mede pesa,
E quanto pensas mede.
Num fluido incerto nexo, como o rio
Cujas ondas são ele,
Assim teus dias vê, e se te vires
Passar, como a outrem, cala.

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