Nem uma a menos! Mulheres contra a Violência e à Reforma da Previdência

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Imagem Capa Arte Mulher (com alterações).

Hoje (08), às 16 horas, acontece um ato em prol das mulheres, onde ocorrerá uma concentração em frente ao Hiper Bompreço da Avenida Frei Serafim (centro de Teresina). A manifestação, que também ocorre em outras capitais brasileiras, é aberta ao público.

Nenhuma a menos

Na capital piauiense, a organização desta manifestação fica por conta da AMES (Associação Municipal dos Estudantes Secundaristas); de estudantes do DCE (Diretório Central dos Estudantes) da UFPI (Universidade Federal do Piauí); e, de integrantes do Movimento Olga Benário.

Ilana Mota e Ellica Borges, integrantes da AMES.
Ilana Mota e Ellica Borges, integrantes da AMES.

Segundo Ellica Borges, vice-presidente da AMES, o principal objetivo da ação é mostrar que o verdadeiro significado do Dia Internacional da Mulher não é apenas de comemoração, mas também de luta. Por isso, o ato Nem uma a menos irá relembrar acontecimentos marcantes na trajetória das lutas feministas e também colocar em evidência eventos atuais, como a Reforma da Previdência e os alarmantes dados e casos de violência contra a mulher.

“O dia da mulher é um dia de luta. Inclusive, seja a mulher dona de casa, aquelas que cuidam dos filhos, ou a mulher trabalhadora, e que não possa ir à luta, a gente vai lutar por elas também”, complementa Ellica.

Como a Reforma da Previdência afeta as mulheres?

As mulheres compõem uma das classes mais afetadas pelo projeto de Reforma da Previdência, por vários motivos, dentre eles: o descaso quanto à desigualdade salarial (a renda da mulher além de ser inferior, ela enfrentará mais dificuldades para se aposentar); a desconsideração do trabalho doméstico (segundo dados da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios – PNAD – de 2014, 88% das mulheres com mais de 16 anos de idade realizam trabalhos domésticos, enquanto apenas 46% dos homens na mesma faixa etária realizam tais atividades); e, a desconsideração da taxa de formalização do emprego (de acordo com dados do IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística – de 2010, houve crescimento de 9,2% da formalização do trabalho masculino, e apenas 6,6% do trabalho feminino).

86,64% dos relatos de violência realizados pelo ‘Ligue 180’, no primeiro semestre de 2016, se referem a situações previstas na Lei Maria da Penha

Segundo dados da Central de Atendimento à Mulher (Ligue 180), apenas no primeiro semestre do ano passado, foram registrados 67.962 relatos de violências entre janeiro e junho de 2016, onde 86,64% se referiram a situações de violência previstas na Lei Maria da Penha.

Imagem: Reprodução.
Imagem: Reprodução.

Desses 67.962 relatos, 51,06% corresponderam à violência física, 31,10% à violência psicológica, 6,51% à violência moral, 4,86% a cárcere privado, 4,30% à violência sexual, 1,93% à violência patrimonial e 0,24% a tráfico de pessoas.

“Ainda há muitos casos de violência doméstica que não são denunciados. Muitas mulheres não denunciam, não só por medo, mas também por algumas falhas no atendimento em algumas delegacias. Isso acontece, às vezes, pela falta de estrutura em atender a demanda e à vítima. A Lei Maria da Penha é um grande avanço, mas ela não resolveu totalmente a vida da mulher quanto à violência”, afirma Ellica Borges.

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