“São salgadas as lágrimas do mundo amargo. ”

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Vivemos dias maus. Dias pesados e tenebrosos. Vivemos um período muito delicado e de dor extrema. Esse processo eleitoral colocou na nossa cara tudo aquilo que tentamos esconder, maquiar, deixar aparentemente bonitinho. Mas o que existe é essa dor verdadeiramente latente dentro de nós.

Eu não sei como você está sobrevivendo a esse período de guerra. Guerra. Todo dia que acordo é sempre o mesmo pensamento: MEU DEUS, SOCORRO!

A minha dor grita porque eu não consigo achar normal cada golpe que recebo nos logins das redes sociais.

Gritos por morte. Gritos que ecoam a intolerância. A crueldade. O egoísmo. Gritam os sentimentos sombrios que permeia a nossa natureza falível.

Além do que você acredita, além da ideologia, existem pessoas nesse processo. Existe gente que precisa ser ouvida, enxergada.

Não é possível que tudo que era leve e feliz se foi…

Não é possível que tudo que te faz olhar para o outro se foi…

Não é possível que só restou a sua egoísta forma de interpretar o mundo.

Até quando os nossos discursos matarão?

Até quando clamaremos por justiça, sendo injusto com quem está do lado?

Até quando eu farei vista grossa aos meus próprios erros?

Em que fase dessa sociedade a gente se perdeu?

Não é questão de partido, esquerda, direita, centro. Não. Não! Não falo de sistemas, venho falar de sobrevivência. Se passamos a naturalizar o descaso ao necessitado, a morte do outro. Se passamos a achar natural que alguém agrida, faça apologia a tortura, exalte às armas, o que vai sobrar de ser humano. DE SER HUMANO.

Aqui o meu desabafo não é na intenção de mudar o seu voto. Muito menos de fazer campanha eleitoral. Eu só quero, por favor, que a gente pare em meio a esse caos e respire. Olhe em volta. Veja com que armas você está usando nessa guerra. A sua religião? Que Deus você levanta?

Eu, como cristã, não enxergo o meu Deus na vingança. Na cegueira. Na segregação. Na violência. No desrespeito ao diferente.

Eu não vejo atitudes cristãs nisso. Olhando para Cristo me vêm ainda mais o tapa na cara. Ele não é isso que pregam.

Amai uns aos outros.

Deus acima de tudo.

Que Deus, amigos?

Que idolatria ao efêmero é essa?

Que crueldade acreditar que o seu mundo pode se sobrepor ao de outra pessoa. PESSOA.
Eu estou defendendo o que eu acredito? A que preço? O custo do sangue de quem está ao meu lado?

Não estou fantasiando. Estou apenas relatando o que está aqui. Talvez esteja em você.
Não é questão de política. É questão de moral. De ética. De amor.

Esse amor que dizem ter pela nação. Que nação? A nação de poucos onde eu e você não temos voz?

Nada e nenhum sistema pode ser mais forte que a sua humanidade. A vida já é pesada demais para nós sermos esses carrascos que levam nos lábios palavras de “ordem”, “decência”, mas que carregam nestes mesmos lábios a hipocrisia de usar toda a dor de uma nação como cabresto à aberração.

Que esconde debaixo do tapete o assédio contra as mulheres do meu trabalho, o desvio de energia, a sonegação daquele imposto, o tapa na cara da minha esposa, o julgamento contra o meu filho que não tem o comportamento ou a profissão que eu queria, que molha a mão do policial para deixar passar o carro atrasado há anos?

Não podemos relativizar a verdade. No mundo de Fake News a minha verdade se sobrepõe a verdade dos fatos e é nessa liquidez que se vai a tolerância, o respeito, e quem sabe, uma democracia.

Viva a liberdade de sermos gente, acima de tudo. De sermos humanos, acima das crenças. A sermos amor, em tempos de caos. Essa é a revolução!

Agora, deixo para vocês uma música que retrata bem este momento. Eu, que continuo acreditando no amor, deixo para vocês a força deste sentimento nobre que eu sigo teimosamente fazendo dele a motivação do meu despertar diário.

“Sensatez não tem vez , vidas fardos, meros dados, incontáveis casos de desamor. Quanta dor, muita dor.”

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