Ser adulto não é legal (ou é?)

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Beirando os 26 tenho descoberto e aprendido muita coisa. Uma delas é que nossos pais quase sempre têm razão nos seus ditados sobre a vida. Aquela história que a gente escuta a vida toda deles: “Você vai entender isso mais na frente” ou “ A vida não é assim como você pensa”, ao passar dos anos se tornam verdades absolutas. Acontece que a gente só aprende a amadurecer amadurecendo mesmo, não tem outra saída, sem a prática, a teoria se torna apenas frases futurísticas.

Os últimos meses não têm sido fáceis para mim, talvez para você também não, apesar de não enfrentarmos, provavelmente, os mesmos problemas, existe um consenso de que todos temos alguns para resolver. Como eu não sou a “diferentona”, muito menos o ser humano dono da razão que você respeita, enfrento graves crises existenciais.

Tenho enfrentado uma angustia em relação a vida profissional, atualmente. Eu já disse umas 346 vezes, só nesta semana, que ser adulto não é bom. Vou repetir de novo para não perder a prática: “Ser adulto não é bom”. Além de termos de trabalhar para nos sustentarmos, de termos obrigações sociais para cumprir, ainda temos que lidar com as expectativas alheias, e é exatamente aí que mora a grande crise.

Neste ano completo 3 anos de formação superior (vitória, ops, ou seria confusão?), com esse tempo todo de bagagem, somo a eles ainda os outros 3 que já trabalho na área. Significa que já tenho 6 anos aí de experiência. Não é pouco tempo, mas a frustração é a mesma. Confesso que nunca fui a utópica que achou que o jornalismo me daria dinheiro e estabilidade, mas viver, como já falei, dói mais do que apenas presumir.

Eu fico olhando as redes sociais da vida e vejo uma galera felizona que se formou comigo, ou depois de mim. Muitos sei da história de perto, e sei dos assédios que sofrem, da batalha diária que é ter 2, 3 ou até 4 empregos para se manter, mas na foto soa um sorriso branco branco, que até parece tão real.

Antes que me condenem, quero dizer que não estou julgando essas pessoas, o que estou dizendo é que eu, Miriam Sousa, ainda não consegui encontrar uma paz em relação a isso. Acho o mercado ruim, as pessoas gananciosas e traiçoeiras (nem todas, claro, tem gente muito legal que eu guardo para sempre no coração ❤) e, mesmo assim, permaneço neste mercado, porque comer e pagar as contas é necessário, e não só por isso, mas também porque amo muito a missão da minha profissão.

Pode parecer uma visão triste e pessimista sobre o jornalismo, mas sorry, é assim que me sinto e sei que meu grito não é solitário. Por incrível que pareça sou uma pessoa muito otimista, de um tanto que às vezes fica até chato, mas em relação a isso eu preciso sentar com você, abrir o coração e dizer: Querida(o), não está sendo fácil!

Mas a vida segue e a gente vai conversando com as pessoas de outras áreas (Geomensores e teachers é noixxxxx) e vai sentindo a dor delas também, então, me pergunto: Há mesmo a chance de sermos felizes trabalhando num mercado cruel onde só visa o lucro em detrimento do bem estar? Será que eu ainda vou ser felizona na minha profissão, não falo só de Money no bolso (é tudo que eu querooooo), mas de leveza na caminhada, de parceria no trabalho, de ser tratada como um ser humaninho que nem todo dia consegue produzir uma pauta, nem todo dia consegue emplacar nos melhores veículos de comunicação e que nem todo dia a gente tem saco para ser oprimida a produzir. (Sou muito Alice, confesso!)

Enfim, eu dentro do meu mundo criado onde as pessoas são felizes, vou seguir acreditando que SIM, podemos estar plenos em nossas profissões e que SIM existe como se manter profissional tratando os parceiros de corrida como gente de carne e osso (e dente). Talvez a mudança não seja amanhã, mas acredito que podemos ser a pequena transformação onde estamos.

E não é só na vida profissional que ser adulto pesa, acho que, resumidamente, é porque precisamos nos assumir como os responsáveis pela construção da nossa caminhada, tipo, não tem mais a chance de colocar a culpa do vaso quebrado no irmão ou no primo. Foi você quem quebrou, então você deve consertar. Vocês estão me entendendo?

cibelesantos2Não é apenas o fato de não estar plena na profissão, mas o fato de sermos cobrados 24h por essa plenitude, o que torna o fardo ainda mais pesado. A cada reunião familiar, ou a cada reunião com as amizades, as perguntas começam: “E o mestrado? ” Nem uma pós tá rolando? ”, “E o casamento? Tem que ter buffezão ostentação, qual a banda? ”. E não para por aí, mesmo que você já tenha tudo isso as cobranças continuam: “E o bebê? Olha vocês já estão passando da idade? ”. “ E o irmãozinho para essa criança? ”, “E o carro novo? ”.

É um bláblábláblá tão pesado que as vezes a gente se sufoca. O pior é que a gente diz assim: “Eu nem me importo, isso nem me atinge”, mas só a gente sabe como aqueles pensamentos e cobranças nos apavoram!

Eu não trago boas novas e, infelizmente, essa banda vai continuar a tocar onde você estiver, mas sabe qual a diferença massa que vai ter: você não precisa ser um dos opressores! Olha que sensacional! Não levar esse peso é uma das coisas mais incríveis e difíceis da vida, mas vale muito a pena a leveza de permitir que o outro caminhe na velocidade dos seus próprios passos.

Então, eu misturei um monte de coisa só para dizer que ser adulto não é legal como a gente pensava que seria, mas pode ser ao menos, leve e cheio de paz!

E, para não perder a prática, deixo para vocês uma música que resume muito bem essa história toda e que ainda vai te fazer dançar em meio aos problemas da life! “Há um menino, há um moleque morando sempre no meu coração, toda vez que o adulto fraqueja ele vem pra me dar a mão…”

Um beijo!

 

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